Perceber uma ferida na pele sem lembrar de nenhum corte ou batida assusta e levanta uma pergunta natural: de onde isso veio? A boa notícia é que feridas que parecem surgir "do nada" quase sempre têm uma explicação, mesmo quando não houve um trauma visível.
As causas vão de infecções e problemas de circulação a doenças inflamatórias e reações alérgicas. Identificar o tipo de lesão e os sintomas que a acompanham é o primeiro passo para o tratamento certo e para saber quando a situação pede avaliação profissional.
Feridas "do nada" geralmente têm uma causa
Mesmo sem um machucado óbvio, a lesão tem origem em algum processo do corpo ou da pele. Os grupos de causas mais comuns são infecções, problemas de circulação, doenças inflamatórias e autoimunes, lesões por pressão e reações alérgicas. Conhecer cada grupo ajuda a entender o que observar.
Causas infecciosas
Algumas infecções de pele provocam feridas que surgem de forma relativamente rápida:
- •Erisipela: infecção bacteriana que causa vermelhidão intensa, inchaço, calor e dor, geralmente nas pernas, podendo formar bolhas e feridas.
- •Impetigo: infecção bacteriana contagiosa, comum em crianças, com bolhas e crostas amareladas.
- •Herpes: infecção viral que forma pequenas bolhas dolorosas e tende a reaparecer no mesmo local.
Causas circulatórias
Problemas de circulação estão entre as causas mais frequentes de feridas crônicas nas pernas e nos pés:
- •Úlcera venosa: ferida na parte inferior da perna ou tornozelo, ligada à insuficiência venosa e ao inchaço.
- •Úlcera arterial: costuma surgir nos pés e dedos, é dolorosa e está associada à má circulação arterial.
- •Pé diabético: feridas nos pés de quem tem diabetes, favorecidas pela perda de sensibilidade e pela má circulação.
Causas inflamatórias e autoimunes
Em algumas pessoas, o próprio sistema imunológico ou processos inflamatórios provocam lesões na pele:
- •Urticária: placas avermelhadas que coçam muito, geralmente de origem alérgica.
- •Psoríase: lesões avermelhadas e descamativas, de causa imunológica.
- •Pioderma gangrenoso: úlceras profundas e dolorosas, mais raras, associadas a doenças inflamatórias.
- •Dermatite de contato: irritação ou alergia da pele ao contato com produtos, tecidos ou substâncias.
Feridas que coçam ou que têm pus: o que significam
A coceira costuma apontar para causas alérgicas ou inflamatórias, como urticária e dermatites, mas também pode acompanhar o processo de cicatrização. Coçar, porém, abre a pele e aumenta o risco de infecção.
Já a presença de pus (secreção espessa, amarelada ou esverdeada, muitas vezes com mau cheiro) é um sinal claro de infecção e merece avaliação rápida, especialmente se vier com vermelhidão que se espalha, calor, dor e febre.
Sinais de alerta e qual profissional procurar
Procure atendimento sem demora se a ferida tiver pus, mau cheiro, vermelhidão que aumenta, dor forte, febre, tecido escurecido (necrose) ou se não cicatrizar em duas a três semanas. Pessoas com diabetes, má circulação ou imunidade baixa devem buscar avaliação ainda mais cedo.
Atenção especial a feridas que não cicatrizam, crescem, mudam de aspecto ou sangram com facilidade: na maioria das vezes a causa é benigna, mas esse padrão também deve ser avaliado para descartar uma lesão neoplásica, a ferida associada a um tumor de pele.
O diagnóstico da causa pode envolver o dermatologista, o angiologista ou o clínico, mas o cuidado técnico da ferida em si, a limpeza, o curativo adequado e o acompanhamento da cicatrização, é função do enfermeiro especialista em feridas. Na Curare, na clínica em Mooca, São Paulo, ou em domicílio, fazemos essa avaliação de forma gratuita na primeira consulta e, quando necessário, orientamos o encaminhamento médico em paralelo ao tratamento da lesão.
Perguntas frequentes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Cada ferida é única: procure atendimento especializado para um diagnóstico e tratamento adequados ao seu caso.